ASSÉDIO SEXUAL NOS TRENS E O DESPREPARO DAS AUTORIDADES

ASSÉDIO SEXUAL NOS TRENS E O DESPREPARO DAS AUTORIDADES

Por Raissa Melo e Thiago Cavallini

Nos últimos meses uma série de denúncias de assédio sexual nos metrôs e trens da região metropolitana de São Paulo tomaram conta das mídias sociais e noticiários. Somente neste ano, foram feitas 62 denúncias de abusos na CPTM. Por isso a companhia lançou uma campanha contra o assédio sexual nos trens e nas estações, com foco na denúncia desses casos. Mas será que as autoridades estão preparadas para atender as vítimas de assédio?

Em diversos casos de abuso ocorridos no transporte coletivo de São Paulo, as vítimas procuraram ajuda dos funcionários e tiveram respostas como a que a jornalista Carolina Apple ouviu de um funcionário do Metrô, após ser vítima de abuso, “ele me dizia que não tinha o que fazer. Que eu deveria ter gritado, que eu deveria ter feito alguma coisa e se eu tivesse me manifestado, os próprios passageiros me ajudariam”, contou em texto publicado no portal R7.

Mas a realidade não é bem assim, nem sempre dá pra contar com a ajuda de outros passageiros. No caso contado por uma estudante nas redes sociais, além de sofrer assédio de um homem dentro do Metrô, várias pessoas incitavam a violência e encorajavam o estupro de uma adolescente de 17 anos.

Às vezes, também, a pessoa que deveria ajudar as passageiras pode ser o próprio criminoso. Um funcionário da CPTM foi preso em flagrante nesse mês por abusar de uma passageira dentro do trem, perto da estação Tatuapé.

São muitos casos que geram revolta e insegurança entre as mulheres, que já enfrentam os outros desafios que o transporte coletivo impõe a todos, e ainda tem que se preocupar com possíveis abusos.

Apesar de muitos avanços nas leis de proteção às mulheres, ainda hoje as autoridades não estão preparadas para atender propriamente as vítimas. Na maior parte dos casos, as mulheres não recebem o atendimento psicológico adequado, ou tem seus casos tratados com deboche.

Aqui em São Caetano, por exemplo, sequer existe Delegacia da Mulher. Aliás, as mulheres vítimas de violência no ABC enfrentam dificuldades para registrar as denúncias, já que as delegacias especializadas por aqui só funcionam até às 18h e não abrem no fim de semana.

Infelizmente, enquanto não existir a consciência de que ninguém tem o direito a tirar vantagem do corpo dos outros, e não houver punição adequada a esses crimes, casos assim continuarão acontecendo.

Se você for vítima de abuso ou presenciar um desses casos, mande um SMS denúncia para o número 97150-4949, relate o caso nas redes sociais, e busque todas as maneiras possíveis de denunciar o ocorrido para ajudar a colocar um fim a esses abusos.

*
Receba nossas notícias também por WhatsApp ou e-mail!
Mande uma mensagem para (011) 95192-0929 ou para ocdoabc@gmail.com

Foto: Tiago Costa

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s