REJEIÇÃO DAS CONTAS DE AURICCHIO: HERÓIS E VILÕES?

Thiago Cavallini

REJEIÇÃO DAS CONTAS DE AURICCHIO: HERÓIS E VILÕES?

Artigo por Thiago Cavallini*

Temos uma tendência comum de pensar em dois polos: de um lado o bem e de outro o mal, alguém é herói ou é vilão.

Na rejeição das contas de Auricchio, que ocorreu na Câmara ontem à noite, logo condenamos os que votaram a favor dos gastos ilegais do ex-prefeito. São os vilões de nossa cidade, e com razão! E quem votou contra o José Auricchio Jr? Seriam esses vereadores nossos heróis? Acredito que não.

É preciso desvendar o jogo político de poder por trás de uma das mais importantes votações da história da cidade.

De um lado, temos os vereadores a favor do ex-prefeito, que vamos chamar de “Vilões” mesmo. São parte de um grupo político que está no comando da cidade há muitas décadas, liderado anteriormente pelo PTB. Gersio Sartori e Flávio Rstom, que são deste partido, junto com Paulo Bottura, que migrou nos últimos anos para o PROS, foram o triunvirato de sustentação dos governos na Câmara por mais de uma década. Junto com outros vereadores do “baixo clero”, eleitos em grandes coligações sem a menor coerência política e com o único objetivo de serem marionetes de quem pagou por suas campanhas, eles compõem a base dos “Vilões”. São eles: Professora Magali (PSD), Dr. Seraphim (PPS), Marcel Munhoz (PPS), Edison Parra (PHS) – que tentou posar de independente no início de seu mandato de forma oportunista, e Fábio Palácio (PR), o representante mais jovem e proeminente deles, sucessor político de tudo o que Bottura representa na política da cidade.

Não podemos esquecer ainda de Beto Vidoski (PSDB), que simplesmente faltou à sessão alegando uma viagem para Brasília. Assim, suas obrigações municipais ficam em segundo plano, em favor das “articulações nacionais”. O que é pior, sua falta passa a impressão de uma manobra política juvenil. Com o vereador tentando “evitar” o desgaste com a população, se fosse a favor de Auricchio, e o desgaste com o próprio se fosse contra. Por trás disso estaria um acordo dos dois em relação às eleições do ano que vem. Parece que o tiro saiu pela culatra.

Até esse ponto, não temos grandes novidades, afinal, a política degradada que conhecemos gira em torno de dinheiro para campanhas. Os doadores, ou donos de partidos e coligações, tem grande poder de barganha e garantem que seus parlamentares sejam fiéis com a promessa de apoio nas próximas eleições.

Vamos então ao outro grupo, que rejeitou as contas de Auricchio, chamados por nós de “Anti-heróis”.

Não resta dúvida de que votaram corretamente nesta questão, mas talvez somente nessa. E o mais importante, quais foram os interesses por trás desse posicionamento? Será que votaram pensando no bem-estar da cidade, ou no complexo jogo de xadrez político de 2016?

Primeiramente temos os vereadores da base de sustentação do governo Paulo Pinheiro (PMDB), interessados em manter seu prefeito nas próximas eleições pela reeleição. Nesse caso, é fácil ver as vantagens que esse grupo teria ao retirar um competidor da corrida antes mesmo da largada. Assim, Dr. Xavier (PMDB), Roberto do Proerd (PMBD), Jorge Salgado (PROS), Eder Xavier da Trombeta (Sem partido, eleito pelo PCdoB), Mauricio Fernandes (PSB que substituiu Severo e Amigos, atual secretário de esportes), Sidão da Padaria (PSB), Pio Mielo (PT) e Chico Bento (PP).

Outros integrantes da turma que votou contra Auricchio são Fábio Soares (PSD) e Cidão do Sindicato (SOLIDARIEDADE), que anteriormente estavam no grupo de Auricchio, mas por alguma razão “misteriosa”, ou por um surto de peso na consciência, votaram contra o ex-aliado.

Votando certo ou errado, parece que todos são guiados pelos seus motivos pessoais, que às vezes temos sorte de coincidir com os objetivos da cidade.

Assim, temos listados todos os representantes do povo de São Caetano, que é o verdadeiro “Herói” desta história, cobrando, fiscalizando, indo nas sessões e fazendo barulho nas redes sociais. Talvez o resultado fosse outro se a população não estivesse tão atenta ao que está acontecendo na política. O País mudou depois das manifestações de 2013 e erra feio o político que não entendeu que as pessoas estão conectadas com os acontecimentos e não têm mais receio de ir as ruas, seja contra a corrupção federal, estadual ou municipal.

*Thiago Cavallini é jornalista, professor e editor chefe do C do ABC.

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