GREVE DOS COLETORES DE LIXO: OS RESPONSÁVEIS E COMO EVITÁ-LA

A greve dos coletores de lixo acabou! Ufa! Mas será que podemos realmente respirar aliviados agora?

O ar ainda deve ficar carregado por algumas semanas, enquanto toda a sujeira acumulada é recolhida, mas o problema da produção, coleta e destinação do lixo urbano está longe de acabar.

Esses quase 10 dias de greve deve nos levar a algumas reflexões importante sobre o tema. A primeira é a própria paralisação em si, quem são os responsáveis pelo caos instaurado nas cidade e o que pode ser feito para evitar que a situação se repita no futuro.

Nessa análise, não existem inocentes. Prefeitura, empresas do setor e sindicato, todos tem sua parcela de culpa. As empresas, em sua lógica radical do lucro, querem o máximo de serviço, pelo mínimo de pagamento. Não existe aumento de salario sem pressão dos que trabalham, sem greve. Mas não podemos culpar o leão por ser carnívoro. É por isso que temos o poder público, que tem poder para regular essa relação, especialmente nesse caso de contratação de serviço terceirizado. A Prefeitura que contrata a empresa de limpeza urbana pode exigir clausula contratual que preveja aumentos anuais aos empregados, seguindo algum índice, como a inflação. Isso evitaria em grande parte esse tipo de campanha salarial anual.

Do outro lado, temos o sindicato, que apesar de ter legitimidade para representar os trabalhadores, negociar com as empresas e realizar greves, também está sujeito às leis do País e às decisões judiciais. Ficou claro que o sindicato não cumpriu a decisão do Tribunal Regional do Trabalho que exigia 70% de coleta domiciliar. Mas não podemos culpar o leão por ser carnívoro. Como chamar a atenção da população e do poder público para o baixo salario dos trabalhadores e a justa reivindicação de aumento deixando de coletar apenas 30% do lixo – ou dois dias por semana?

Por fim, chegamos ao terceiro e maior culpado pela sujeira de nossas ruas nos últimos dias, a Prefeitura. É ela a responsável legal pelo recolhimento e destinação do lixo e varrição das ruas. Se ela escolhe contratar empresas terceirizadas para realizar o serviço, tem também de arcar com o ônus de eventuais interrupções na prestação. Como? Com planejamento e plano emergencial.

Assim como água, luz, transporte, policiamento e atendimento médico, a coleta de lixo é um serviço essencial e não podemos, como cidadãos, ter ele totalmente suspenso. Todos virão o que pouco mais de uma semana sem a coleta pode causar à cidade. Dessa forma, o plano emergencial, deveria existir para cobrir eventuais faltas no serviço das empresas. Este planejamento deveria criar um fundo para a situação, muito usado em outros países para lidar com eventuais desastres. O dinheiro seria usado para contratações emergenciais de pessoal, caminhões e transporte do lixo para locais mais distantes, não afetados pela greve. Também seria possível a construção de um local apropriado para armazenamento provisório dos resíduos, evitando-se a criação de lixões clandestinos, como foi feito pela Prefeitura na área da Matarazzo, no bairro Fundação. Com o reestabelecimento do serviço, o lixo seria levado ao seu destino final, aterro ou reciclagem.

Soluções existem e outras podem ser apontadas a partir de estudos e consulta à especialistas. Dinheiro também não falta. Quem não lembra da infame Taxa do Lixo cobrada em São Caetano – de forma ilegal – até de vagas de garagem? O que falta é capacidade de planejamento dos governantes, que não pensam a longo prazo ou de forma a evitar transtornos para a população.

LIXO E MEIO AMBIENTE

Outra questão que não podemos esquecer, essa ainda mais relevante do que o problema imediato do acúmulo de lixo, é como tratamos nossos resíduos urbanos.

Ficou fácil perceber a quantidade inacreditável de lixo que produzimos. E para onde vai tudo isso? Para os aterros sanitários, com capacidade limitada para absorver todos nossos detritos.

Ainda se recicla muito pouco em São Caetano, com a coleta seletiva realizada apenas uma vez por semana. Também faltam programas para incentivar e ensinar moradores a realizarem compostagem de lixo orgânico, atividade que poderia inclusive gerar receitas para populações mais carentes.

Refletir, recusar, reutilizar, reduzir e reciclar. Esse são os cinco “R” da sustentabilidade. Precisamos realmente deste produto, ou da sacolinha para carregá-lo? Podemos reutilizá-lo após o uso, de outras formas, evitando o descarte? Estou destinando meu lixo para a reciclagem? Essa são as perguntas que deveríamos fazer diariamente em nossas relações de consumo e fazê-lo de forma consciente. Afinal, com ou sem coleta de lixo, a produção de resíduos é um grave problema ambiental o qual a solução passa por nossas mãos.

Thiago Cavallini é professor e editor chefe do C do ABC.

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