DESCASO: FALTA ACESSIBILIDADE NAS ESTAÇÕES DA CPTM

DESCASO: FALTA ACESSIBILIDADE NAS ESTAÇÕES DA CPTM

Nenhuma das nove estações de trem do ABC possui acesso seguro para pessoas com deficiência

Por Thiago Cavallini e Raissa Melo

Quem utiliza o transporte coletivo diariamente já está acostumado a encarar problemas como filas, atrasos e superlotação. Agora, imagine enfrentar todos esses problemas e ainda ter dificuldade de acesso à estação de trem e plataformas. Essa é a rotina dos passageiros que possuem algum tipo de deficiência e sofrem com a falta de acessibilidade das linhas da CPTM.

Os trens da linha 10 – Turquesa passam por cinco cidades do ABC, e em todas elas cadeirantes tem de ser carregados pelos funcionários da CPTM nas escadas porque não há outra forma de acesso às plataformas. Uma situação muito perigosa e constrangedora. Nas 13 estações da linha 10, apenas duas possuem escadas rolantes e elevadores – ambas na cidade de São Paulo.

A maioria das estações não possui rampas de acesso para cadeirantes ou pessoas com dificuldade de locomoção, banheiros adaptados, comunicação em braile, ou sinalização tátil para cegos. Sem contar que a distância e altura do vão entre os trens e as plataformas é muito grande e pode causar graves acidentes.

Amilcar Zanelatto, 53, é morador de São Caetano, deficiente físico e um dos líderes do movimento Inclua-se! que luta pelos direitos das pessoas com deficiência. Ele conta que nossas leis são bastantes avançadas em relação às pessoas com deficiência, mas que ainda faltam políticas públicas que atendam as necessidades de todos.

No início do ano passado o governo estadual prometeu a reforma das estações Ipiranga, Utinga, Prefeito Saladino, Guapituba, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. A intervenção seria realizada em pouco mais de um ano, mas o projeto ainda não saiu do papel.

“O governo do Estado promete essa reforma há 30 anos, e o Decreto 5296 exigiu que tudo estivesse resolvido em 2008. A última resposta que temos é que as reformas se iniciariam no primeiro semestre de 2014, por causa da Copa do Mundo. Estamos em Fevereiro de 2015”, comenta Zanelatto.

Enquanto a prometida reforma não acontece, os passageiros com dificuldade de locomoção continuam correndo riscos diariamente e dependendo da ajuda dos seguranças da CPTM, que nem sempre estão preparados para atendê-los de forma adequada.

“A participação da população nessa busca por mais inclusão e acessibilidade é simples: é preciso que nos ouçam e nos enxerguem de maneira diferente. Quando isso se der, tenham certeza e que poderemos fazer com que qualquer pessoa saia do ponto “A” e se dirija ao ponto “B” com autonomia, conforto e segurança, conforme define o conceito de Acessibilidade”, completa.

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