A QUALIDADE DO AR EM SÃO CAETANO E OUTRAS CIDADES BRASILEIRAS ESTÁ PIOR DO QUE IMAGINAMOS

No Grande ABC a qualidade do ar caiu em 2011, segundo relatório da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). Santo André, Mauá, Diadema e São Caetano registraram aumento de concentração de ozônio na atmosfera além do nível padrão. A estação de monitoramento de São Caetano foi a segunda do Estado que mais registrou ultrapassagens do nível padrão. Só perde para a primeira do ranking, a Cidade Universitária na capital. A má qualidade do ar relacionada à concentração de ozônio está diretamente ligada ao excesso de emissão de poluentes, sobretudo pelo aumento considerável do fluxo de veículos na região. Houve alta de 5,8% em relação à quantidade de automóveis entre os anos de 2010 e 2011. Atualmente, o Grande ABC tem frota de 1,4 milhão de veículos, segundo o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito).

No entanto, informações sobre a qualidade do ar de São Caetano e outras cidades brasileiras são piores do que o informado. É o que sugere uma análise do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), que fez um estudo comparando padrões de medida de poluição do Brasil, dos Estados Unidos e da União Europeia, informa a Agência Estado. O trabalho mostrou que os padrões brasileiros estão desatualizados em relação aos parâmetros dos países europeus e ainda muito abaixo do que recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS).Segundo os pesquisadores, os limites máximos de concentração de poluentes na atmosfera permitidos pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) precisam de uma revisão urgente, pois não refletem os avanços científicos sobre os efeitos que provocam sobre a saúde humana. Eles destacam os padrões em relação às emissões de dióxido de enxofre (SO2), dióxido de nitrogênio (NO2) e material particulado 10 (MP 10). Esses gases são emissões de carros.

Este último, por exemplo, de acordo com o Padrão Nacional de Qualidade do Ar, tem como limite a emissão anual de 50 microgramas/metro cúbico. A última diretriz publicada pela OMS fala, porém, que o ideal seria no máximo 20 microgramas/m³. Essa diferença pode gerar uma falsa sensação de que uma cidade com uma já conhecida alta concentração de poluentes no ar, como São Caetano, está dentro do aceitável na maior parte do tempo. Isso quer dizer que, tomando como parâmetro apenas a métrica em vigor no Brasil, os dados de monitoramento indicam concentrações de poluentes inferiores ao limite, o que é interpretado como uma poluição atmosférica que não é tão grave em regiões como a Metropolitana de São Paulo. Porém, se levarmos em consideração os padrões internacionais da OMS, o quadro muda totalmente, e para pior.

O Brasil também está atrasado no monitoramento de material particulado mais fino. Não há qualquer regulamentação que limite a sua emissão. A OMS recomendou que esse tipo de material seja monitorado após estudos mostrarem que ele é mais perigoso para a saúde humana.

O padrão nacional foi regulamentado pelo Conama em 1990, mas tendo como referência os adotados pelos EUA na década de 70. Só que, de lá para cá, o conhecimento científico avançou ao mostrar que uma menor concentração de poluentes pode ser nociva. No Brasil, o Conama iniciou uma revisão dos números, mas a proposta ainda está sendo avaliada pelo Ministério do Meio Ambiente. No Estado de São Paulo, a Cetesb também elaborou uma nova tabela de padrões de qualidade a fim de atender a recomendação da OMS em três etapas. O projeto, porém, aguarda análise do governo. Na prática, se os padrões forem atualizados, vai aumentar o número de regiões do País em situação de poluição atmosférica abusiva – certamente no ABC também – o que exigirá a imposição de limites mais restritivos de emissões de poluentes para fontes industriais e de veículos.

Devemos ficar atentos para cobrar que o poder público em todas as suas esferas, principalmente na municipal, cumpra o dever de zelar pela saúde da população, com políticas mais severas contra a poluição em todas as suas formas, incluindo aí a atmosférica, uma das mais prejudiciais. É uma questão de saúde pública que não pode ser ignorada pela prefeitura.

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Uma resposta para “A QUALIDADE DO AR EM SÃO CAETANO E OUTRAS CIDADES BRASILEIRAS ESTÁ PIOR DO QUE IMAGINAMOS

  1. O Estado Brasileiro relaxa no controle de poluentes e depois gasta com a saúde de seus cidadãos. Não adianta nada ter a expectativa de vida ampliada sem qualidade de vida, com problemas respiratórios, com o risco de desenvolvimento de doenças graves como o câncer, etc.

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