Ser professor e a eterna Montanha Russa

Em homenagem aos professores, publicamos aqui o texto de um dos milhares de mestres que vivem a realidade diária da sala de aula, em todos os seus altos e baixos; e persistem, na esperança de um Brasil melhor.

Ser professor e a eterna Montanha Russa

por Maykon Rodrigues Dos Santos*.

Ser professor é um eterno sobe e desce, uma infinita luta e um mar de contradições. Se inicia subindo, quando o sonho de dar aulas não lhe dá tempo (ou você não quer) de refletir sobre as dificuldades que um dia virão.

Sonho concretizado, uma sala a sua frente e começa a descida. A realidade te mostra as imperfeições. Não só do sistema, mas de seus amigos professores, dos pais e dos alunos. E, principalmente, suas próprias imperfeições. Aprendi na prática a distância entre o sonho e a realidade. Entre o desejo, a vontade e a materialização prática.

Os anos passam e você tenta, mesmo sem conseguir, se acostumar com esse sobe e desce. Em um mesmo dia estou no alto, dando pulos de alegria por aquele sorriso vindo de um aluno, ou a mudança na feição do rosto que mostra, nitidamente, que sua prática pedagógica se tornou significativa. Ou, então, pelo pai que vem lhe agradecer. Mais ainda pelos exemplos de outros professores que nos mostram todos os dias que sonhar, lutar e fazer valem a pena! Mas, nesse mesmo dia, há descidas. Descasos de outros pais, outros alunos que se importam pouco por seu próprio aprendizado. Uma escola fechada, pouco aberta a mudanças.

Às vezes parece que a descida não tem fim. Governos e governantes que adoram falar em educação, mas que nada fazem de concreto para sua melhoria. Um piso salarial baixíssimo, nada de 10% do PIB para educação. Uma sala com profissionais cansados e com pouca vontade de ser a mudança. A greve esvaziada. A manifestação que reúne poucos. Pais que não frequentam a escola de seus filhos cotidianamente e escolas que pouco se abrem para receber os pais. Uma soma de fatores que se materializam em péssimas condições de trabalho. E o mais angustiante: minhas próprias contradições. Lá no fundo, por vezes, me vejo pensando e tendo práticas que abomino. Vem a pergunta: vale a pena continuar?

De repente, volto a subir. Tenho notícias de alunos que hoje já estão na universidade. Outros que passaram em ETECs e CEFETs. E, mais ainda, muitos alunos, professores e pais que, ao seu modo, te olham e te tratam com respeito. Chego ao mais alto da Montanha Russa, pois ser professor é muito mais do que ensinar um conteúdo específico. É, acima de tudo, formar um ambiente de respeito, de igualdade e de trocas recíprocas.

E assim sigo. Um dia no alto, outro dia embaixo. Em alguns momentos bem alto. Em outros bem baixo. Em cada um desses momento a maior de todas as contradições. Parar ou continuar?

Por enquanto, e não sei até quando dura esse enquanto … Continuar. Não ter medo e aceitar as descidas. Desde que elas lhe ensinem algo. Desde que elas não lhe deixam acreditar que não haverá mais subidas. Ou de que a montanha russa acabará e se transformará em um reto e contínuo caminho rumo a sociedade que sonho.

A cada professor que enfrenta seus fantasmas e, ao mesmo tempo, semeia sonhos em si e nos outros digo, emocionado: Feliz Dia dos Professores!

*Maykon Rodrigues Dos Santos é professor e militante do PSOL.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s