Proteção animal: eles também merecem respeito e cuidado

A Folha de S. Paulo noticiou nessa semana que o primeiro hospital público veterinário de São Paulo, localizado no Tatuapé, não consegue atender a demanda reprimida e já deixa casos graves sem tratamento adequado. Em parceria com a prefeitura, a Anclivepa-SP (Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais) é responsável pela administração do hospital que atende 30 novos animais por dia, após aprovação dos pets no teste de pobreza, conduzido por assistente social.

Inaugurado há apenas dois meses e uma semana, o hospital veterinário já é comparado ao SUS dos animais por quem procura o serviço. “Marcaram para esta quinta-feira (6) a cirurgia para a extração do tumor de meu cachorro. Mas o médico não foi. Tão jovem o serviço, e já está parecendo o SUS”, afima Luciana Aparecida Albino ao jornal. Para os médicos, a enorme procura mostra que há um quadro crônico de animais em sofrimento na cidade. “Já esperávamos que a procura fosse grande. Mas ninguém poderia imaginar que se materializaria aqui uma tamanha concentração de sofrimento”, disse à Folha o veterinário Renato Tartalia, 48, diretor do hospital.”O que estamos vendo é uma catástrofe, que afeta tanto a vida de animais, quanto a de seus donos, que sofrem por eles. É preciso investir mais.”

Segundo o jornal, calcula-se que São Paulo abrigue algo como 4 milhões de cães e gatos, para uma população humana de 11,5 milhões de habitantes. Não se sabe, porém, qual percentual desses animais vive “abaixo da linha de pobreza” ou em situação de risco. Agora, pela primeira vez, com o hospital, aquilo que era um problema da vida privada ganha visibilidade. Por mês, a meta é realizar 180 cirurgias e mil consultas, mas essa previsão pode ser insuficiente. Todos os dias, ao menos 40 novas fichas de atendimento são abertas, mas nem todos são atendidos. Há dias em que as pessoas madrugam na fila para conseguir garantir uma senha para o atendimento. Em vez de ração, são animais que comem restos de comida humana e sofrem, por isso, de dor de dente e gengivite, como humanos. Sem tratamento, os tumores já chegam supurados. E os cachorros morrem de cinomose, apesar de haver vacina eficaz. Mas custa R$ 50, e os donos não têm. Por isso, há grande procura pelos serviços gratuitos cirúrgicos, ortopédicos, dermatológicos e odontológicos do hospital, mas os casos mais comuns ainda são os atropelamentos: pelo menos cinco por dia.

E em São Caetano e outras cidades do ABC, qual é a realidade dos animais em situação de risco? Qual é o número desses animais nas cidades? Não temos a dimensão do prblema. Aqui não temos hopital veterinário público e muito menos uma Delegacia de Proteção Animal para ocorrências como maus-tratos, a exemplo de cidades do interior como Campinas e Sorocaba. E por que não há?

Os animais em situação de risco, abandonados ou nascidos na rua também merecem respeito e cuidado. É dever da cidade combater o abandono e assegurar que os animais não precisem suportar dor ou sofrimento evitáveis, garantindo os requisitos mínimos de bem-estar para aqueles que não tem um protetor. Além das ações locais, temos que trabalhar em âmbito metropolitano, regionalizando a questão e buscando soluções coletivas. São Caetano poderia contribuir muito com o bem-estar dos animais da região. Para desenvolver ainda mais a proteção animal em nossa cidade exigimos e vamos lutar para viabilizar:

a) um sistema diário de recolhimento, abrigo e adoção dos animais abandonados;

b) a criação de um hospital veterinário público, dotado de infraestrutura para o atendimento e cirurgias, com qualidade para se tornar uma referência regional;

c) a obrigatoriedade do registro do animal no órgão municipal responsável pelo controle de zoonoses, o RG animal, por meio de chip intracutâneo. Assim, o cidadão e a prefeitura tem o controle dos animais registrados na cidade, das vacinas tomadas e da localização do animal, pelo sistema GPS, caso ele se perca;

d) a instalação de uma Delegacia de Proteção Animal na cidade, para ocorrências de maus-tratos;

e) um programa de assistência e orientação aos protetores de animais em risco, abandonados ou nascidos na rua, para que tenham o condições mínimas para cuidar daqueles que mais precisam.

f) campanha permanente de conscientização e prevenção contra o abandono de animais para a população.

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