Por uma São Caetano que priorize as pessoas

“Nada deve parecer natural. Nada deve parecer impossível de mudar.” 

Bertold Brecht

Em uma pesquisa de 2003 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), São Caetano figura como a cidade brasileira com o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). No entanto, muita coisa mudou de lá para cá.

Na última década, a cidade viveu um boom de grandes empreendimentos imobiliários, prédios e mais prédios que hoje ocupam grande parte do pequeno território de 15 quilômetros quadrados de São Caetano. Com o aumento populacional, as vias públicas passaram a abrigar uma nova e gigante leva de carros, o que resultou em mais congestionamentos. Sem aumentar proporcionalmente o efetivo de policiais e guardas civis, o número de roubos e furtos vem crescendo, enquanto a sensação de segurança diminui afastando os moradores do espaço público.

São Caetano não conta com tantos espaços de convivência e os poucos que existem, como parques, sofrem com o descaso da prefeitura.  A cidade não cumpre seu potencial: é cada vez menos um lugar de encontros e de reunião dos moradores; não tem o que é necessário para encorajar essa convivência.

 As calçadas destruídas, ocupadas por obras, não convidam o pedestre, que prefere andar de carro a enfrentar a “aventura” que é se deslocar a pé na cidade. As poucas ciclofaixas servem apenas para o lazer e não estão integradas com o transporte público.  E o transporte público que deveria ajudar a dar fluidez à mobilidade urbana, como os ônibus, demora uma eternidade para passar nos pontos e levam duas ou até três vezes mais tempo nos trajetos do que o carro.

Isso mostra que São Caetano segue reproduzindo a lógica das grandes cidades caóticas, como São Paulo, que prioriza “coisas” ao invés de pessoas. Em primeiro lugar vem a preocupação com a fluidez dos veículos no trânsito, com a rentabilidade do setor imobiliário, com a saúde financeira das multinacionais, com os números da segurança, com a propaganda das ações realizadas pelo poder público.

Assim fica difícil transformar São Caetano em uma cidade que priorize as pessoas. Mas não é impossível.

Nós temos o 44º maior orçamento municipal do Brasil, com quase R$ 1 bilhão por ano. Em tamanho somos a 4ª menor cidade entre mais de 5500 cidades. E em população ocupamos a posição 178º. É muita arrecadação para um território pequeno e uma população intermediária.

Diante desse cenário bem particular, acredito que São Caetano pode atingir um nível de excelência que a cidade não tem hoje porque a administração não é direcionada para isso. Há uma visão curta da administração que não aproveita esse potencial da cidade, que é ser modelo de verdade nos serviços públicos, uma cidade que produza felicidade para seus habitantes.  A mudança precisa partir de uma nova visão de administração política, mas, igualmente, de uma nova demanda de nós, moradores. Uma demanda por uma cidade que priorize as pessoas.

Como escreveu o dramaturgo alemão Bertold Brecht, no poema “Nada é impossível mudar”:

Nada é impossível mudar
Desconfiai do mais trivial,
na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural
nada deve parecer impossível de mudar.

Nos próximos dias vamos mostrar que a mudança é possível com exemplos e ideias de melhorarias para o espaço público. Acompanhe!

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