Palhaçada da prefeitura: novas “lombadinhas” no Jd. São Caetano causam transtornos

Há poucos dias recebemos um alerta dos moradores Henrique Rike e Daniel Martinez Gianetti sobre a atitude arbitrária da prefeitura de instalar dezenas de novas “lombadinhas” pelas ruas do tranqüilo Jardim São Caetano, impedindo o lazer de crianças e jovens que andam de skate no local.

Em reportagens do DGABC, descobrimos que as “lombadinhas” agrupadas são na verdade sonorizadores de trânsito, seis no total, instalados em três ruas do Jardim São Caetano, que já contam com lombadas e tachões (outros tipos de redutores de velocidade). Também descobrimos vários absurdos, como a ausência de placa indicando a presença dos redutores de velocidade, algo exigido por lei e que deveria ter sido colocada imediatamente após a instalação.

A Prefeitura afirmou ao jornal que as estruturas foram implementadas a pedido da SAB (Sociedade Amigos do Bairro) local. O argumento para a instalação dos sonorizadores é de que há alto índice de acidentes nas vias, informação desmentida pelos vizinhos. “A rua é tão tranquila que as crianças aproveitam para brincar em frente de casa. Queria que meus netos também tivessem o direito de se divertir”, afirma o comerciante Valentim Escamilla. O último acidente registrado no bairro foi exatamente após a instalação dos redutores de velocidade. O estudante Guilherme Neto, 15, desceu a Rua Tomé de Souza de skate e caiu nos obstáculos, fraturando os ligamentos do tornozelo. Nos próximos 40 dias, Guilherme será obrigado a trocar o skate pelas muletas.

Um grupo de 30 moradores acredita que alguns vizinhos “implicam” com os skatistas locais que, por não contarem com opção de espaço público para lazer, ocupavam as ruas sem movimento do bairro. “Agora as crianças não têm onde brincar”, comenta a dona de casa Lote Stimpel, 74 anos, avó de um dos garotos que utilizavam o espaço para andar de skate. Enquanto isso, a quadra do bairro mantém as portas fechadas para o lazer aos finais de semana, segundo Gianetti. “Toda vez que vou com meu filho para jogar bola a quadra está trancada”.

O cadeirante Jeferson William Miguel, 35, também enfrenta dificuldades com a nova estrutura da via. Tornou-se impossível visitar os amigos da Avenida Libero Badaró de cadeira de rodas, pois nem com ajuda há condições de ultrapassar as elevações. “Agora preciso que me levem de carro para realizar percurso que fazia sozinho há 20 anos”, queixa-se.

Além de serem antilazer, os obstáculos atrapalham a circulação de idosos, cadeirantes, mulheres com carrinho de bebê e pessoas com dificuldade de locomoção, que utilizam a rua já que as calçadas são precárias, desniveladas e encontram-se por toda a cidade em péssimo estado. Lote já teve dores intensas por ter que passar pelos sonorizadores. “Tenho fibromialgia e toda vez que passo por ali não consigo dormir a noite de tanta dor”, diz.

Aos distraídos de moto, o transtorno é financeiro, já que falta sinalização. “Passei de moto no fim da tarde e não vi as lombadas. As carenagens se soltaram e vou ter de parar a moto no fim de semana para consertar”, disse o técnico em manutenção de piscina José Geci Trindade, 27.

Em uma consulta ao Código de Trânsito, descobrimos a utilização de sonorizadores é proibida, salvo em casos especiais definidos pelo órgão competente. Quer dizer que a prefeitura considera espantar skatistas um “caso especial”?

Indo além, a resolução que estabelece os critérios de instalação dos sonorizadores diz que tal medida pode ser adotada para a redução da velocidade e de acidentes, quando alternativas se mostrarem ineficazes para esse fim. Mas, como a prefeitura pode usar essa justificativa em um bairro como o Jardim São Caetano, que de tão pouco movimentado, como destaca o DGABC, atrai até skatistas para suas ruas? Quantos acidentes foram registrados no bairro no último ano?

Onde estão e o que apontam os estudos de engenharia de tráfego sobre esse bairro?

Implantar trambolhos nas poucas ruas tranqüilas da cidade a pedido de uma entidade de bairro, sem apresentar estudos do trânsito local e sem consultar a população, cheira a manobra política eleitoreira para agradar a poucos. Uma atitude tão precipitada e inconseqüente por parte da prefeitura só mostra mais uma vez a incapacidade administrativa do grupo que está no poder. Isso sem contar outros três grandes problemas de SCS que essa única polêmica dos sonorizadores trouxe à tona:

– Falta de espaços de lazer nos bairros, com quadras, parquinhos e pistas de skate.  Criança e jovem também é cidadão!

– Calçadas em péssimo estado, cuja manutenção deveria ser assumida pela prefeitura. É o espaço público do pedestre!

– Falta de sinalização após obras de trânsito, como a falta de placas indicando os sonorizadores. E outra: recapear asfalto recém-recapeado já é um absurdo, ainda esquecem de pintar as faixas de pedestre e outras sinalizações!

Ontem, sábado, 18, moradores do Jardim São Caetano realizaram manifestação e colheram assinaturas para reivindicar a remoção dos redutores de velocidade. Os moradores colheram 120 assinaturas em documento que será encaminhado à Prefeitura amanhã para remoção dos obstáculos.

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