Rio+20 começa hoje! Veja o que está em discussão

Vinte anos após receber a Cúpula da Terra/Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (mais conhecida como Eco 92), o Rio de Janeiro volta a ser palco de uma nova rodada de negociações para enfrentar as novas (e velhas) crises advindas do crescente desequilíbrio ambiental e climático planetário.

Até o fim da próxima semana, diplomatas e chefes de Estado dos países reunidos para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – UNCSD, na sigla em inglês, ou simplesmente Rio+20 –, vão tentar reduzir suas discrepâncias e apresentar ao mundo um documento final à altura do evento, o maior já realizado pela ONU.

O evento tem dois propósitos centrais: avançar numa Organização Mundial do Meio Ambiente e, principalmente, consolidar o conceito de Economia Verde, a nova aposta dos governos, mercado e do ambientalismo institucional. Na definição do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), a Economia Verde, “sintetiza o reconhecimento crescente de que alcançar a sustentabilidade depende quase inteiramente em acertar na economia”, salienta o órgão. No entanto, a ideia de “salvar o que resta da natureza” via mecanismos tradicionais de mercado tem sido alvo de fortes críticas por parte de organizações da sociedade civil, cientistas e acadêmicos. Por exemplo, o pressuposto da Economia Verde, de que a adoção de mecanismos de produção menos poluidores deve ser compensada financeiramente, é vista como um contrassenso: quem polui demais, em vez de reduzir os danos (o que sai muito caro), paga (o que é mais barato) para que outrem polua ou desmate menos e as contas se equilibrem no zero a zero. Economicamente, todos ganham… menos o meio ambiente.

A premissa de que a proteção do meio ambiente só ocorrerá se for lucrativa, ou que só podemos preservar pagando por isso, enfraquece o Estado de Direito e o cumprimento da lei, e nega o fato de que as crises climáticas e ambientais são decorrência direta de um modelo de desenvolvimento predador e depredador. Políticas públicas ambientais não podem simplesmente se curvar às regras do mercado. Se isso acontece, pra que serve o Estado?

Nos próximos dias, o C do ABC vai mostrar o que há de mais interessante na mídia sobre o debate ambiental e o que pensam os mais influentes especialistas presentes na Rio+20 e nos vários eventos paralelos que acontecem simultâneamente (veja aqui a programação). O que será que podemos tirar de toda essa discussão e usar em nossas cidades?

(Baseado na Cartilha O Lado B da Economia Verde, uma parceria da Fundação Heinrich Boell com a Repórter Brasil)

Infográfico do jornal O Globo, suplemento Especial Rio+20, de 12/06/12.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s