Exclusão em SCS: 69% das residências estão longe de rampas de acesso

Já andou pelas ruas da cidade? Percebeu que a maior parte das calçadas são elevadas e apresentam muitos desníveis e rachaduras? Já reparou nos “puxadinhos” de garagens e obras de construção que tomam o espaço das calçadas? E que a vida do pedestre fica mais complicada por causa disso?  Se para o pedestre já é difícil, imagine para as pessoas com deficiência…é praticamente uma missão impossível.

Apesar de toda a propaganda da Secretaria Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência ou Mobilidade Reduzida (Sedef), São Caetano tem bem mais que a metade das residências instaladas longe de rampas de acesso. Segundo o IBGE, essas residências em locais sem acessibilidade no entorno correspondem a 69% do total de moradias na cidade. Com certeza muito mais, se considerarmos a qualidade das tais rampas e a real acessibilidade que elas garantem.

Tendo em vista que a região do Grande ABC concentra 49,8 mil pessoas com deficiência motora, os dados escancaram a exclusão. “Os índices evidenciam algo que já sabíamos. Uma região rica como o Grande ABC ainda segrega pessoas”, avalia a coordenadora do curso de Ciências Sociais da Universidade Metodista, Luci Praun, em reportagem do DGABC.

As rampas que auxiliam cadeirantes, idosos e pessoas com mobilidade reduzida só existem nos centros das cidades, comenta o presidente da Acide (Associação pela Cidadania das Pessoas com Deficiências), Carlos Alberto dos Santos. “Claro que a rampa ajuda, mas se a calçada tem desnível não resolve o problema”. O artista plástico José Carlos Bueno, 51 anos, é cadeirante há duas décadas e destaca a dificuldade para sair de casa. “Além de não haver rampas de acesso às calçadas em todas as faixas de pedestres, as irregularidades no passeio público nos obriga a andar no meio fio, com risco de ser atropelado.”

O eterno impasse da manutenção, que hoje recai sobre os proprietários das residências, e de uma fiscalização mais rigorosa da prefeitura para adequar as calçadas irregulares poderia ser resolvida se a administração pública tomasse a responsabilidade para si, sem onerar o morador. É um problema de ordem pública, que afeta todo cidadão, e que hoje é negligenciado por autoridades políticas de todo o País. São Caetano tem um orçamento bilionário que poderia ser usado para criar uma cidade verdadeiramente acessível, uma cidade modelo.

Inclusão de verdade

O Movimento Popular INCLUA-SE de São Caetano (http://incluase.blogspot.com.br) também lembra que a acessibilidade ao meio urbano por meio de calçadas e travessias de pedestres não se limita apenas a pessoas que utilizam a cadeira de rodas para locomoção, como sugerem os dados do IBGE. Abrange todas as pessoas com deficiência, seja de ordem física (como, por exemplo, pessoa com paralisia cerebral), sensorial (pessoa cega ou surda) e intelectual (pessoa com síndrome de Down), assim como, as pessoas com mobilidade reduzida (pessoas idosas). Para que uma dada rua ou avenida possa ser considerada acessível não basta apenas ter rampas de acesso nas calçadas. É necessário que:

– a largura da área de passeio tenha dimensões que atendam ao fluxo de pedestres;

– a inclinação transversal do passeio seja suave;

– o piso não cause trepidação em dispositivos com rodas, não contenha desenhos que causem sensação de tridimensionalidade, nem ofuscamento na visão, como também não deverá ser escorregadio;

– os passeios estejam livres de obstruções como: degraus e ondulações, mobiliários urbanos, elementos suspensos (orelhões) e aéreos cuja altura esteja abaixo de 2,10 m;

– tenham boa iluminação noturna, semáforos sonoros e com temporizador nas travessias;

– e o fundamental: excelente estado de conservação, tanto do piso e rampas como dos mobiliários e equipamentos urbanos para atender as necessidades de todos garantindo a segurança, o conforto, a autonomia e a fluidez, independentemente das condições física, sensorial e intelectual dos mesmos.

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