Crianças fora da escola: São Caetano está ficando para trás

Em 10 anos a evasão escolar diminuiu em média 9 pontos percentuais no Grande ABC. Os últimos dados do IBGE apontam que a região tem hoje 120.983 pessoas em idade escolar (zero a 17 anos) fora das salas de aula, contra 203.784 em 2000. No entanto, a melhora não foi igual em todas as cidades. Enquanto a evasão em escolas de São Caetano caiu 2 pontos percentuais, em Diadema e Rio Grande da Serra, por exemplo, teve queda de 12 pontos, seis vezes mais. Isso significa que a prefeitura de São Caetano se acomodou nas conquistas históricas da cidade e se satisfaz com as estatísticas ao se comparar com municípios da região com realidades absurdamente diferentes.

Mesmo que a cidade tenha aproximadamente 89% da população em idade escolar matriculada, os 11% restantes são desprezíveis? É até mesmo possível que cidades as outras cidades da região acabem com a evasão escolar antes de São Caetano, se as melhorias aqui continuarem a passos lentos.

São Caetano é a cidade que tem o menor território, a segunda menor população e o maior orçamento per capita do Grande ABC. Se a gente melhorasse na mesma proporção de Diadema e Rio Grande da Serra, já teriamos resolvido completamente o problema.

Mais um exemplo de que a quantidade de verbas investidas em um serviço público, necessariamente não significa melhor qualidade.

Na segunda-feira (8), o Diário do Grande ABC trouxe uma reportagem sobre o assunto e ressaltou que a parcela de munícipes da região em idade de creche (zero a três anos) é a que mais concentra pessoas fora da escola – 90.135 crianças. O número corresponde a quase 70% da população nesta faixa etária entre as sete cidades. Além do já conhecido déficit de vagas de aproximadamente 14 mil crianças na região, há que se considerar a não obrigatoriedade de pais matricularem seus filhos com menos de 6 anos no Ensino Infantil. Isso contribui para a continuidade do problema, observa a professora de Psicologia da Educação da FSA (Fundação Santo André) Ivete Pellegrino. “Apesar de observarmos melhoria das políticas públicas e ampliação da rede, a quantidade de vagas não é suficiente para comportar a demanda”, comenta.

No Ensino Infantil (4 e 5 anos), apenas 9% dos 100.910 moradores da região nesta faixa etária estão fora da escola. O desempenho é ainda melhor no Ensino Fundamental. Apenas 2,5% dos 302.327 munícipes com idade entre 6 e 14 anos estão longe do ambiente escolar. No Ensino Médio (15 a 17 anos), a taxa de jovens longe das unidades de ensino é de 11,4%.

A falta de vagas na Educação Básica é um dos motivos que afasta as crianças da escola. A desempregada Gislaine da Silva Rodrigues, 31 anos, enfrenta esta dificuldade para matricular dois dos três filhos. Isac, 11, e Stephany, 3, estão na lista de espera por uma oportunidade de estudar, segundo a mãe. A família mudou-se do bairro Divinéia para a Vila São Pedro há cerca de três semanas e, por enquanto, apenas Mateus, 5, está na escola. “Na próxima semana vou procurar o Conselho Tutelar porque preciso colocar os dois na escola para que eu possa trabalhar”, destaca.

Na adolescência, a evasão escolar é o principal problema. O morador da Vila São Pedro, Jadiel Vitor Lourenço da Silva, 17, abandonou os estudos aos 16 anos, quando estava cursando o 9º ano do Ensino Fundamental. “Sofri um acidente e fiquei afastado. Depois que me recuperei, decidi não voltar mais”, comenta. Segundo ele, a situação se repete com sua irmã, de 16 anos, e é comum entre os amigos do bairro. A professora de Psicologia da Educação da FSA (Fundação Santo André) Ivete Pellegrino comenta que o desinteresse por parte dos adolescentes muito se deve à falta de incentivo por parte da rede pública.

Há muitos motivos que levam o aluno a deixar de estudar – a necessidade de entrar no mercado de trabalho, a falta de interesse pela escola, dificuldades de aprendizado que podem acontecer no percurso escolar, doenças crônicas, deficiências no transporte escolar, falta de incentivo dos pais, mudanças de endereço e outros. Para serem minimizados, alguns desses problemas dependem de ações do poder público, e outros podem ser solucionados com iniciativas tomadas ao longo do ano pelos gestores escolares e suas equipes, que têm a responsabilidade de assegurar as condições de ensino e aprendizagem.

Dicas da Revista Nova Escola para gestores de escolas públicas combaterem a evasão escolar:

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