ABC vive “comemorado” e “não pensado” boom imobiliário

O Boom imobiliário vivido pela região de São Caetano do Sul e ABC é realmente impressionante. Agora…, assusta? Isso depende. Mas, do que jeito que está, assusta.

A edição online do Repórter Diário tratou do assunto. O número de unidades lançadas no ABC no último ano é praticamente o mesmo que em 2008, quando teve início o boom imobiliário: foram nove mil lançamentos contra 9,1 mil em 2008. As vendas em 2011 aumentaram 8,5% em relação ao ano anterior. Somente São Caetano foi responsável por 19,3% das unidades residenciais lançadas.

Longe de ser “contra crescimento”, veja que estamos tratando aqui de planejamento, de prédios construídos em ruas que não possuem estrutura adequada, lugares por onde passavam cem carros por dia e de repente passam mais de mil.

Vejam, segundo Milton Bigucci, presidente da Associação dos Construtores, Imobiliárias e Administradoras do ABC, “94% dos lançamentos são de unidades de dois ou três dormitórios. Praticamente não temos demanda para imóveis com apenas um dormitório”, Das nove mil unidades, apenas 48 eram de um dormitório.

Resumindo, a questão não é o desenvolvimento urbano/mobiliário, mas qual desenvolvimento urbano/mobiliário. Planejado? Sustentável? Ou desorganizador, violento e destruidor?

Vejam que tudo indica para a lógica do dinheiro-pode, dinheiro-compra.

São Caetano é um município pequeno, porém extremamente adensado (9.430,8 hab/km²).

Daí cai a ficha. Você olha esse “crescimento” todo e pensa “nossa, que maravilha!”. Agora, o quanto a prefeitura tem investido em infraestrutura urbana para dar conta desse crescimento? Melhor ainda: existe investido em infraestrutura urbana para dar conta desse crescimento? Quanto foi feito nos últimos quatro anos?

Repetindo: longe de ser “contra crescimento”. Mas a verdade é que estamos na lógica do correndo atrás. Primeiro criamos o problema, depois corremos atrás.

 

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2 Respostas para “ABC vive “comemorado” e “não pensado” boom imobiliário

  1. Compartilho dos seus questionamentos e me sinto profundamente incomodada com a situação. Essa é uma das razões pelas quais a Gestão atual não terá meu voto!

    • Podiamos ter aprendido com os erros da urbanização desenfreada do passado e com a super-verticalização da cidade de São Paulo. Mas não.

      Os interesses imobiliários falaram mais alto e novamente enfrentamos um crescimento urbano não planejado. Nenhuma grande cidade (ou no nosso caso, um conglomerado metropolitano) na qual se preze a qualidade de vida e as pessoas, se da ao luxo de não planejar e não pensar nas consequências a longo prazo.

      A ideia é que ainda dá pra reverter boa parte dos danos. Espero.

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